terça-feira, 28 de julho de 2009

Navegadores antigos tinham uma frase gloriosa:
"Navegar é preciso; viver não é preciso".
Quero para mim o espírito desta frase,
transformada a forma para a casar como eu sou:
Viver não é necessário; o que é necessário é criar.
Não conto gozar a minha vida; nem em gozá-la penso.
Só quero torná-la grande,
ainda que para isso tenha de ser o meu corpo e a minha alma a lenha desse fogo.
Só quero torná-la de toda a humanidade;
ainda que para isso tenha de a perder como minha.
Cada vez mais assim penso.
Cada vez mais ponho da essência anímica do meu sangue
o propósito impessoal de engrandecer a pátria e contribuir
para a evolução da humanidade.
É a forma que em mim tomou o misticismo da nossa Raça.
by Fernando Pessoa

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Mas porquê?

Lembrei-me de criar este blog depois de ler uma frase de um futebolista da berra a dizer que agora estava feliz. Não está. Não pode. Ou então vale ainda menos do que o pouco valor que lhe dou. Porque o ser humano não fica feliz. Consegue sentir-se feliz, ou se calhar o termo mais correcto é "contente", durante algum tempo após atingir um grande objectivo na vida. Mas essa alegria não dura muito.

Porque surge a pergunta "E a seguir?"

Nada de errado com isso. Sim, seria idílico atingirmos o fim do arco-íris e ficarmos eternamente a pairar na nuvem de felicidade que sempre imaginámos. Desejava isso a todos os que amo, se acreditasse que era possível (e desejo, na parte mais ingénua do meu ser que quer acreditar nessa e noutras fantasias). Mas no entanto, essa é a melhor pergunta que nos podemos fazer, porque nos leva a ir mais longe. Leva-nos a buscar os nossos sonhos, leva-nos a superar obstáculos, e a levar a cabo muitos outros lugares comuns que tais.

Quero com este blog tentar responder mais frequentemente à pergunta que lhe dá o título. Tal como uma personagem fictícia na 1ª faixa do 1º álbum da minha banda portuguesa favorita, digo "pra mim próprio: 'Próprio, tens de dar um rumo à tua vida!'". Embora o meu caso não passe por formar "a primeira boysband de garagem" (mas espero que passe pela música, mesmo que só na minha cadeira, e/ou com alguns amigos meus).

E quero sentir o que sempre acreditei: que apesar de não ser possível ficarmos felizes, é possível lutarmos pela felicidade e regozijarmo-nos na alegria que sentimos pelo caminho. E se há coisa que eu aprendi nos últimos anos, é que só olhando para e por aqueles que temos à nossa volta é que conseguimos encontrar essas dádivas.

PS: já agora estejam à vontade para deixar também as vossas respostas à perguntinha, sim? :)